sábado, 1 de novembro de 2014

A posição do Brasil no novo acordo climático global

Suzana Camargo - 31/10/2014 às 13:37

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Não será somente o Brasil, mas países do mundo inteiro que precisarão se pronunciar sobre que medidas e compromissos adotarão para reduzir emissões de carbono e quais investimentos serão feitos para a mitigação e adaptação aos efeitos dasmudanças climáticas.
Apesar da atenção internacional sempre recair sobre as nações mais poderosas e influentes, nosso país também recebe especial atenção na mesa de negociações, afinal os serviços ambientais prestados pela fauna e flora brasileiros são imensos e incontestáveis.
Entretanto, chegar a um acordo global não será fácil. “Este é um desafio para a humanidade, não é somente uma questão ambiental”, ressalta Everton Lucero, chefe da Divisão de Clima, Ozônio e Segurança Química do Itamaraty. O diplomata foi um dos três palestrantes do 3º Seminário sobre Mudanças Climáticas, promovido pelo Planeta Sustentável.
Para resolver um problema tão complexo e achar um acordo entre quase 200 nações do mundo inteiro, a diplomacia se faz necessária. Lucero falou sobre como o Brasil conseguiu reduzir as emissões de CO2 e o desmatamento na Amazônia, um esforço reconhecido globalmente.
Infelizmente, o que o país fez não é suficiente. No mapa do planeta, são vários os atores que precisam dar sua contribuição para reduzir o aquecimento global. E qual será a posição que o governo brasileiro adotará nas próximas reuniões que definirão o novo compromisso para o clima? “O Brasil busca um acordo justo, equilibrado e efetivo”, diz Lucero. “Não basta mais focarmos apenas em mitigação”.
Segundo o diplomata, mesmo que a temperatura do planeta suba somente 2oC, ela já causará grandes impactos, por isso a adaptação às mudanças climáticas também se faz necessária.
Everton Lucero explicou como no encontro de Varsóvia, no ano passado na Polônica, o Brasil defendeu que os países apresentassem suas contribuições para a redução de emissões conforme a responsabilidade histórica das mesmas, mas a proposta não foi bem aceita pela comunidade internacional.
O diplomata revelou que a abordagem que parece ser a preferida no momento é aquela que engloba um número maior de países no pacto, mas tendo alguns com metas mais rígidas que outros. “Seria um acordo de longo prazo, que não permitia retrocesso perante os compromissos afirmados”, explica.
Antes disso, entretanto, os países terão que apresentar suas contribuições nacionais voluntárias, ou seja, o conjunto de esforços que prometem realizar. No Brasil, uma série de consultas públicas já está em curso para definir estas metas.
Foto: Fellipe Abreu
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